Resposta<br>ao boicote
Novos salários em 2013 só poderão ser alcançados com a unidade, o protesto e a luta dos trabalhadores, salientou a Fesete/CGTP-IN, ao anunciar a decisão de requerer a passagem das negociações à fase de conciliação, perante o boicote das associações patronais do calçado (Apiccaps) e da cordoaria e redes (AICR).
Neste caso, a recusa da negociação colectiva e do aumento de salários começou no ano em que as exportações da cordoaria, redes, sacaria e espumas atingiram o valor mais elevado da década (251 milhões de euros, em 2011). Os salários estão a perder, face à inflação oficial, mais de 2,5 por cento.
No calçado, os patrões recusaram negociar aumentos salariais em 2012 e em 2013, apesar da redução do emprego (menos 21 mil postos de trabalho, do ano 2000 para 2012) e da subida da produtividade e das exportações (o valor de exportações por trabalhador passou, no mesmo período, de 26 710 euros para 42 548). Em relação à inflação, os salários nestes dois anos perdem 1,6 por cento.
A federação aponta tais resultados como prova de que a recusa de aumentos salariais, agravada pela imposição de mais sete dias de trabalho por ano, não se deve a problemas económicos. Aumentaram apenas os lucros dos patrões e aumentou a injustiça na distribuição de riqueza, sublinha a Fesete.